Projeto transforma resíduos da construção em blocos para pavimentação de escola pública em Içara

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Estudantes de Engenharia Civil do Câmpus Criciúma estão utilizando resíduos da construção civil para produzir blocos de concreto pré-moldados que serão usados no calçamento de uma escola pública de Içara. Além de atender a uma demanda da comunidade externa, o projeto busca encontrar alternativas para reutilização de um resíduo ainda pouco reaproveitado no Brasil.

O projeto de extensão “Sustentabilidade ao vivo e em cores - concretos reciclados e coloridos” é coordenado pelo professor Diego Haltiery, com a participação das estudantes Marcele Rockenbach e Laura Pereira da Rosa. Desde o primeiro semestre deste ano, o grupo testa diferentes materiais e produzem blocos de concreto pré-moldados para o calçamento do Centro de Educação Infantil A Magia do Aprender, escola pública municipal de Içara. A previsão é de que eles sejam instalados no final de setembro.

Chamados de pavers, estes blocos de concreto estão sendo produzidos de maneira sustentável, a partir da reciclagem de Resíduos de Construção e Demolição (RCD) que substituem a areia na produção de argamassa.

Dados da Associação Brasileira para a Reciclagem de Resíduos da Construção Civil (Abrecon) indicam que 50% dos municípios brasileiros ainda destinam seus resíduos sólidos em aterros sanitários, lixões ou locais inadequados. Quando descartados de maneira incorreta, estes sólidos podem promover a proliferação de doenças e causar danos ao meio ambiente.

“O projeto em desenvolvimento proporciona aos alunos e professores uma oportunidade de ouvir as demandas e opiniões da comunidade para que, juntos atuem, de forma transformadora e efetiva”, ressalta o professor.

Amarelinha

A ideia surgiu a partir de uma demanda da escola, que precisava pavimentar uma parte do pátio. Os membros do projeto de extensão receberam doação de resíduos e cimento de duas empresas da região, a 3R's e a Supremos Cimentos. Além da utilização dos resíduos de demolição, o projeto também utiliza pigmentos para criar uma marcação visual nos blocos, que serão usados para compor um jogo de Amarelinha.

Para Laura, por ser a construção civil um dos setores que mais produz resíduos, é importante que uma visão de sustentabilidade seja ensinada ainda nos cursos de graduação. “O projeto contribui de forma positiva para a formação dos alunos, no âmbito de conscientizar futuros engenheiros civis da importância do aproveitamento de resíduos gerados pela nossa área”, diz.

Para o coordenador, o projeto mostra que o IFSC tem capacidade de coletar e reaproveitar resíduos sólidos de forma mais sistemática. A intenção é que futuramente o Câmpus adquira um britador de mandíbulas, máquina projetada para britar rochas resistentes e outros materiais da construção civil, com o intuito de processar os resíduos produzidos pelo próprio Câmpus em aulas práticas e construções. Além do projeto de extensão, o professor também pesquisa a resistência do concreto produzido com o resíduo da construção civil no lugar da areia.

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