Professora do IFSC desenvolve glossário de química em Libras

Aprender química nem sempre é uma tarefa fácil. Por isso, os professores costumam buscar alternativas que minimizem as dificuldades e façam com que os alunos encontrem sentido no que é ensinado na escola. Foi com essa perspectiva, que a docente de química do Câmpus Palhoça Bilíngue do IFSC, Karina Zaia Machado Raizer, desenvolveu um glossário bilíngue (Libras – Português) de termos relacionados à disciplina. 

O glossário, que ainda está em desenvolvimento, é fruto da sua dissertação de mestrado, defendida em maio, tendo a professora se dedicado a analisar as estratégias de ensino de química utilizadas pelos docentes nos cursos técnicos integrados do IFSC, mais especificamente às voltadas ao estudante surdo. No total, foram pesquisados 18 professores, os quais apontaram como dificuldades para o ensino: carência em suas formações acadêmicas em relação à educação de surdos, falta de recursos didáticos bilíngues específicos para a área e escassez de termos de química em língua de sinais.

Esses aspectos, e a experiência de cinco anos dando aula para os surdos, motivaram a professora a propor um Glossário Acadêmico de Química em formato de site. Isso porque essa mídia tem como vantagens ser de fácil atualização e aplicação de recursos de acessibilidade, não requerer instalação de plugins, ter amplo alcance e ser compatível com vários dispositivos. Essas características facilitam a sua utilização como material de apoio didático bilíngue (Libras – Português), para o ensino de química a estudantes surdos. Nele são abordados definições de conceitos e termos fundamentais de Química Geral.

“Quando comecei a dar aula para os surdos, eu achava que os sinais eram a coisa mais importante, mas depois fui percebendo que eles precisavam saber o que eles significavam. O diferencial desse glossário é que ele aborda os sinais e as suas explicações, em Libras e português. Ele tem uma sequência de conteúdos como um livro, traz imagens, conceitos, e pode ser utilizado pelos professores, intérpretes, alunos, surdos e ouvintes, e também pela família, pois seu uso pode se dar dentro e fora da sala de aula”, relata a professora.

A ferramenta foi avaliada por três docentes de química dos cursos técnicos integrados do IFSC, tendo sido considerada uma importante possibilidade de melhoria das estratégias de ensino para os surdos e, consequentemente, da qualidade da educação de surdos no Brasil. Aliás, levar o glossário ao conhecimento de pessoas externas ao câmpus está nos planos de Karina, que menciona inclusive o desejo de fazer um trabalho de sensibilização com os estudantes do curso superior de Licenciatura em Química, ofertado no Câmpus São José do IFSC, que serão a nova geração de professores. 

Conteúdo do Glossário

Todo o conteúdo do site é apresentado em Libras e em português, e sua abrangência corresponde a uma sequência dos principais assuntos de química que são estudados no primeiro ano do ensino médio, semelhante ao índice de um livro didático da educação básica. Dos 12 temas inicialmente propostos, por enquanto, só está completo e habilitado o primeiro, que aborda conceitos básicos e introdutórios paro o ensino de química. “Os conteúdos serão ampliados para contemplar, inclusive, temas das outras séries do ensino médio, segundo e terceiro ano”, explica a professora.

Segundo ela, a criação de sinais de termos químicos em Libras não era a intenção do estudo e, por isso, optou-se pelo uso de sinais já conhecidos pelos intérpretes, com exceção de alguns termos que os estudantes surdos não reconheceram sentido no sinal apresentado. “Nesse caso, foi feita uma discussão com eles e com a equipe executora do projeto, levando em conta outras possibilidades de sinais, já existentes ou sugeridos pelo grupo, ficando ao encargo dos alunos fazerem a escolha”, esclarece Karina.

-> Clique aqui para acessar o Glossário

Equipe executora

Além da docente de química, o seu desenvolvimento contou com uma equipe multidisciplinar, composta por oito servidores e um estudante do câmpus: a professora da área da Tradução e Interpretação de Libras – Português, Saionara Figueiredo Santos; os professores surdos da área da Libras, Fabio Irineu da Silva e Paulo Roberto Gauto; a web designer, Francine Medeiros; os Tradutores e Intérpretes de Libras – Português, Monise Fiorentin Gomes e Tom Min Alves; e o aluno surdo do curso superior de Tecnologia em Produção Multimídia, Yuri Alessandre Oliveira dos Santos.

As opiniões expressas pelos autores pertencem a elas e não refletem necessariamente a opinião da Gazeta de Itapoá.