Aeroportos e portos de Santa Catarina ampliam cuidados com coronavírus

Terminais adotam orientações da Anvisa, estabelecem ações locais de prevenção e planos de contingência no caso de confirmação da doença

Após o surto de coronavírus ser declarado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) como uma pandemia e os casos terem aumentado no país, portos e aeroportos de Santa Catarina passaram a ampliar os cuidados com o novo vírus.

Na Capital, o Floripa Airport adotou uma série de orientações na tarde de quinta-feira (12). O terminal vai disponibilizar álcool gel em áreas de grande circulação de passageiros, além de recomendar o uso de luvas para
profissionais que manuseiam carrinhos de bagagem e de máscara para os profissionais de lojas da área internacional.

Também divulga anúncios sonoros em diversos idiomas sobre prevenção do coronavírus e reforçou a frequência da limpeza e da obrigatoriedade do uso de EPIs (avental, máscara, óculos e luvas) para a equipe de higienização do aeroporto.

De acordo com a administração do estabelecimento, não houve redução de voos. No entanto, o aeroporto informou que segue em contato constante com a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para atualizar as ações e contribuir com o controle e contenção do vírus.

Cancelamentos de voos

O Procon de Santa Catarina vai notificar todas as empresas aéreas que operam no Floripa Airport, na tarde deste sábado (14). O órgão quer saber como as companhias estão procedendo nos casos de cancelamentos de voos e/ou reclamações.

As companhias aéreas terão prazo de 48 horas para informar se estão assegurando aos consumidores, em caso de solicitação, a possibilidade de remarcar passagens, alterar destinos ou cancelar viagens nacionais e internacionais para destinos atingidos pelo novo Covid-19, sem custos.

De acordo com o Procon estadual, mais de 2 mil pessoas já procuraram os órgãos de defesa do consumidor em Santa Catarina para resguardar o direito do cancelamento e/ou remarcação.

Esse direito está previsto no artigo 6° da Lei 8.078/90  que “prevê como direito básico do consumidor a proteção da vida, saúde e segurança contra os riscos provocados por práticas no fornecimento de produtos e serviços considerados perigosos ou nocivos”.

Para o diretor do órgão estadual, Tiago Silva, o consumidor não é obrigado a colocar sua saúde em risco ao viajar para lugares onde poderá contrair o coronavírus. Assim, precisa ter a opção de adiar a viagem, viajar para outro destino de mesmo valor ou obter a restituição da quantia já paga.

Joinville, Lages e Navegantes

Conforme informações da assessoria de imprensa da Infraero (Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária), os terminais sob a responsabilidade do órgão (em Santa Catarina, são os de Joinville, Lages e Navegantes) mantêm as recomendações da agência.

Basicamente, elas se resumem ao uso de máscaras e EPIs pelos empregados que circulam nas áreas internacionais que recebem passageiros do exterior. A disponibilidade de álcool em gel, sabonete líquido e papel toalha nos terminais também está sendo monitorada.

Por fim, os aeroportos da Infraero estão veiculando orientações do Ministério da Saúde – avisos sonoros, vídeos, entre outros – sobre os sintomas e medidas para evitar a transmissão da doença.

No entanto, essas recomendações devem se transformar em orientações, as quais serão divulgadas pela Anvisa entre esta sexta (13) e sábado (14). Se a situação se agravar, é possível que nos próximos dias a agência aplique algumas determinações, que são medidas ainda mais rigorosas.

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Blumenau, Chapecó e Criciúma

O Seterb (Departamento municipal de Transporte em Blumenau), que responde pelo Aeroporto Regional de Blumenau, informou que, por não operar voos comerciais, adota medidas básicas. Entre elas estão a divulgação de cartazes com medidas preventivas indicadas pelo Ministério da Saúde e álcool gel dentro das instalações do terminal.

Na próxima segunda-feira (16), o Seterb se reunirá com a Vigilância Sanitária municipal para discutir outras medidas em todo o sistema de transporte coletivo, fretamentos e aeroviário.

No Aeroporto Serafim Enoss Bertaso, em Chapecó, os funcionários que trabalham com manipulação de bagagens está usando máscaras e luvas. Também há álcool em gel disponível em vários pontos do terminal e muitos passageiros estão se precavendo usando máscaras ao descer das aeronaves.

A RDL Aeroportos, que administra o Aeroporto Regional Sul, em Jaguaruna, e Aeroporto Diomício Freitas, em Forquilhinha, na região de Criciúma, não atendeu as ligações.

Medidas adotadas nos portos

Os portos catarinenses seguem protocolos da Anvisa para atracação de embarcações, entrada e saída de tripulação e outras ações pontuais definidas em cada terminal portuário.

Ademais, há planos de contingência (alguns finalizados e outros em fase de aprovação) para o caso de confirmação do coronavírus nos estabelecimentos ou navios.

– Porto de Imbituba

Desde o final de janeiro, a SCPAR Porto de Imbituba está divulgando materiais informativos da Anvisa (boletim epidemiológico e spot) aos servidores, às empresas que atuam no porto e prestadores de serviços, entre outros. As informações são repassadas por e-mail, cartazes e grupos de WhatsApp.

A distribuição de dispensers de álcool gel e cartazes com dicas de prevenção a gripes foi reforçada em pontos estratégicos de circulação de pessoas no porto, como portarias, casas de convivência e prédios administrativos.

O plano de contingência do Porto de Imbituba contra doenças de emergências de saúde pública, como a febre amarela e o novo coronavírus será lançado oficialmente nos próximos dias, mas já pode ser acionado em caso de necessidade.

Nenhum navio pode atracar ou operar no porto sem a autorização da Anvisa, a qual emite o Certificado de Livre Prática (CLP) mediante apresentação e análise da Declaração Marítima de Saúde, da lista de viajantes com
respectivos locais e datas de embarque e desembarque e possíveis registros de atendimento de bordo.

Essas medidas permitem detectar a presença de patologias nos tripulantes. A troca de tripulação também é monitorada e autorizada previamente pela Anvisa.

– Porto de Itajaí

O Plano de Contingência de Saúde Pública do Porto de Itajaí ainda não tem uma versão final, devido a recente publicação da resolução 307/2019, da Anvisa.

Entretanto, a Superintendência do Porto de Itajaí publicou uma resolução em fevereiro, que dispõe sobre os procedimentos e os responsáveis para implementar as ações em situações de navios provenientes de área afetada e casos suspeitos. Esse documento foi divulgado aos órgãos intervenientes, sindicatos, operadores portuários e toda a comunidade portuária.

Se houver tripulação com caso suspeito no navio, o mesmo deverá ser atracado no porto, para que a Anvisa possa ir a bordo e realizar os procedimentos necessários.

Além disso, o terminal estabeleceu ações complementares, como a criação de um Comitê de Contingências em Saúde, implementação em toda área portuária de totens informativos sobre o tema e distribuição de luvas e máscaras para toda a comunidade portuária. No site do Porto de Itajaí, há informações com as medidas sanitárias a serem adotadas em pontos
de entrada e também posts com informações dos sintomas e recomendações.

– Porto de Navegantes

O terminal possui um Plano de Contingência em Saúde Pública onde estão todos os procedimentos a ser adotados caso haja suspeita de coronavírus no estabelecimento.

De acordo com informações divulgadas pela Portonave, os portos e terminais portuários da região Sul não são de primeira escala, portanto, se houver algum sintoma (febre, tosse, coriza ou congestão nasal) ou caso suspeito na embarcação no primeiro terminal de atracação, o navio fica retido até liberação pela autoridade sanitária federal.

– Porto de Itapoá

A reportagem do nd+ não conseguiu contato com o terminal portuário.


do nd+

As opiniões expressas pelos autores pertencem a elas e não refletem necessariamente a opinião da Gazeta de Itapoá.

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